quarta-feira, 4 de julho de 2007

Ziraldo: “A Internet é o antro do débil mental”

Não pude deixar de escrever estas linhas pra tecer meu comentário e expressar minha surpresa com esta declaração tão infeliz do Ziraldo.

É de se admirar que um homem inteligente e talentoso como ele faça uma declaração desta, que demonstra um preconceito ridículo.

Se ele prefere os livros, os jornais, as revistas, enfim, a mídia escrita, tudo bem. Agora, desdenhar desta forma a Internet causa a impressão de que existe nele um sentimento de frustração, por não conseguir atuar na Internet com a desenvoltura com que consegue fazê-lo em outras mídias.

Seria mais nobre confessar que esta não é a sua praia. Que está satisfeito por ter chegado aonde chegou e não se sente atraído pela Internet. Que não está a fim de encarar um novo desafio nesta altura da sua vida. Que prefere a comodidade de colher os frutos do seu trabalho já realizado. Tudo bem.

Ninguém é obrigado a amar a Internet.

Não vou sair em defesa da Internet dizendo que ela tem tudo de bom e tudo de ruim, porque isto seria chover no molhado. A Internet reproduz fielmente o que somos como sociedade.

Na verdade, eu acho que a única coisa que você pode fazer em relação à Internet é escolher como vai ser a sua participação nela. Porque não participar está, cada vez mais, deixando de ser uma opção. Não importa qual seja sua ocupação, grau de instrução ou influência, muito antes de você perceber, você já está na Internet.

Quem hoje não tem e-mail?

Quem não faz sua declaração de renda pela Internet?

E mesmo quem entregou pessoalmente por disquete ou formulário (isto ainda é possível?), pode crer que seu nome está lá no banco de dados da Receita, que pode ser acessado via Internet.

Então, é difícil não estar na Internet.

O Ziraldo está na Internet! E com site próprio!

Mas, tudo bem, você pode escolher ser um anônimo na Internet.

Assim como no mundo real, você pode ser uma pessoa comum que não aparece em destaque na sociedade em que vive. Mas você está lá.

Porém, desprezar ou menosprezar a Internet é tolice.

É uma pena que uma atitude como esta parta de uma pessoa como o Ziraldo.
Alguém cuja trajetória foi marcada pela defesa intransigente da liberdade de expressão, o que lhe custou a prisão pelo regime militar por ser considerado “um elemento perigoso”.

Talvez porque os autores do AI5 considerassem que O Pasquim era “o antro do débil mental”.


Os usuários da Internet segundo Ziraldo.

Um comentário:

Anônimo disse...

É... infelizmente ele está ficando gágá...